Se você está estruturando uma startup ou organizando juridicamente a entrada de sócios e investidores, provavelmente já se deparou com os termos cláusulas tag along e drag along.
Embora os nomes estejam em inglês, essas cláusulas são fundamentais para qualquer empresa que deseja crescer com segurança e atrair investimento. Em termos práticos, elas regulam como funciona a venda de participação societária e, ao mesmo tempo, evitam conflitos entre sócios no futuro.
Além disso, no um ambiente de startups, onde a entrada e saída de investidores é comum, essas cláusulas deixam de ser um detalhe jurídico e passam a ser uma ferramenta fundamental para assegurar o futuro da empresa. Elas equilibram interesses, evitam travamentos em negociações e dão previsibilidade para todos os envolvidos.
Neste artigo, você vai entender:
- O que é tag along
- O que é drag along
- Como aplicar essas cláusulas na sua empresa/startup
1. O que é tag along?

A cláusula de tag along é um mecanismo de proteção para sócios minoritários.
O termo pode ser traduzido como “direito de acompanhar”. Ou seja, quando o sócio majoritário decidir vender sua participação na empresa, os minoritários têm o direito de vender suas quotas ou ações nas mesmas condições.
Na prática, funciona assim: se um investidor apresenta uma proposta para comprar o controle da empresa, os sócios minoritários podem optar por participar da venda, recebendo o mesmo preço por participação, ou um percentual previamente definido no acordo.

No entanto, é importante destacar que o tag along não obriga a venda. Pelo contrário, ele garante a liberdade de escolha. O sócio minoritário pode:
- Vender sua participação junto com o majoritário
- Permanecer na empresa, mesmo com a entrada de um novo controlador
Por que o tag along é importante?
Sem essa cláusula, o minoritário pode ficar preso a um novo sócio com quem não tem alinhamento com o negócio, o que pode inviabilizar a continuidade da empresa.
Em startups, isso é ainda mais crítico. Imagine investir em um projeto em fase inicial e, de repente, a empresa vende o controle para um grupo com visão completamente diferente. Com isso, a cláusula de tag along evita esse tipo de cenário e garante uma saída justa.
2. O que é drag along?
A cláusula de drag along tem uma lógica diferente: aqui, o foco está na viabilidade da venda da empresa.
O termo traduz-se por “arrastar junto”. Ou seja, em determinadas condições, os sócios minoritários podem ser obrigados a vender sua participação.
Essa cláusula permite que o sócio majoritário ou um grupo qualificado de sócios aprove uma venda da empresa e obrigue os demais a participarem da operação.
Por que o drag along é importante?
Muitas aquisições só acontecem se o comprador puder adquirir 100% da empresa. Neste sentido, sem o drag along, um sócio minoritário poderia impedir a venda, mesmo que ela fosse vantajosa para todos.
Logo, com a cláusula, esse risco é eliminado, tornando a empresa mais atrativa para investidores e compradores. Vale ressaltar que, para muitas startups, existe um grande interesse em criar um produto rentável e, em seguida, receber uma boa proposta para venda da empresa.
Outro ponto importante é que há limites impostos pela cláusula de drag along.
Como se trata de uma venda obrigatória, o contrato deve prever critérios claros, como:
- Percentual mínimo de aprovação entre os sócios
- Preço mínimo de venda
- Condições de pagamento
Tais pontos evitam abusos e garantem equilíbrio na relação entre os sócios minoritários.
3. Como usar tag along e drag along na sua startup
Entender o conceito é só o começo. O verdadeiro valor está na forma como essas cláusulas são estruturadas.

Cada startup tem uma realidade diferente, então não existe um modelo padrão. Ainda assim, alguns pontos são essenciais.
1. Defina onde as cláusulas estarão
O mais comum é que essas regras estejam em um acordo de sócios ou acionistas, e não no contrato social, visto que, a partir daí, permite-se mais flexibilidade para ajustes ao longo do tempo.
2. Estabeleça critérios claros para o tag along
A empresa deve definir em quais situações o direito será acionado, qual percentual do preço será garantido ao minoritário, se haverá condições específicas para o exercício. Vale destacar que, quanto mais claro, menor o risco de conflito.
3. Estruture bem o drag along
Aqui, o cuidado precisa ser maior. É recomendável prever quórum mínimo para aprovação da venda, como 70% ou 80%, critérios objetivos de preço, regras sobre forma de pagamento.
O ideal é que tudo esteja bem definido: qual será o quórum mínimo para aprovar a venda, geralmente entre 70% e 80% do capital, quais são os critérios de preço e como será feito o pagamento. Esses pontos evitam discussões e desgastes entre os sócios justamente no momento mais delicado da empresa.
Uma cláusula bem estruturada aqui não só protege os envolvidos, como também facilita muito uma eventual negociação.
4. Alinhe com a estratégia da startup
Essas cláusulas precisam fazer sentido dentro da estratégia da empresa.
Startups que buscam investimento, principalmente de fundos, normalmente precisam de um drag along mais robusto. Isso porque o investidor já entra pensando na saída, e quer ter segurança de que uma futura venda não será travada por divergências internas.
Por outro lado, quando a empresa é formada apenas por fundadores, é interessante buscar um equilíbrio maior, com regras que protejam todos de forma mais proporcional.
5. Pense no longo prazo
Um erro bastante comum é simplesmente copiar modelos prontos de contrato sem adaptar à realidade da empresa.
No começo, isso pode até parecer suficiente. Mas, com o crescimento do negócio, os problemas começam a aparecer.
Uma cláusula mal definida pode travar a venda da empresa, gerar conflitos entre sócios ou até afastar investidores.
Conclusão
Por fim, as cláusulas de tag along e drag along são essenciais para startups que querem crescer com segurança.
Enquanto o tag along protege os sócios minoritários e garante uma saída justa, o drag along permite que oportunidades estratégicas não se percam por falta de alinhamento.
Se você está estruturando sua startup ou se preparando para receber investimento, este é o momento certo para tratar desse tema com atenção. Pode não parecer urgente agora, mas lá na frente, é exatamente esse tipo de detalhe que define se uma negociação vai acontecer ou não.
